A Zona Velha do Funchal são as poucas ruas a leste do centro onde a cidade começou: um bairro de pescadores apertado entre o mercado e um forte amarelo à beira-mar. A rua principal, a Rua de Santa Maria, é estreita, empedrada e cheia de portas pintadas por artistas da terra, e depois de escurecer transforma-se numa sala de jantar comprida. Percorres a rua de uma ponta à outra em vinte minutos, mas dá-lhe uma manhã para ver e uma noite para comer.
Em resumo
- A Zona Velha vai do Mercado dos Lavradores para leste até ao Forte de São Tiago, com a Rua de Santa Maria como espinha dorsal.
- Vai de manhã pelo mercado e pelas portas pintadas, e à noite para jantar. Parecem dois sítios diferentes.
- O teleférico para o Monte parte da frente-mar da Zona Velha.
- Os restaurantes da rua principal são mais caros e há empregados que tentam puxar-te para dentro. Percorre a rua toda antes de escolher.
- Faz-se tudo a pé. Não tentes entrar de carro.
Um pouco de história, para as ruas fazerem sentido
O Funchal cresceu a partir do mar. Os primeiros povoadores chegaram na década de 1420, e os pescadores, os construtores de barcos e os marinheiros viviam na ponta leste da baía, à volta da capela do Corpo Santo, enquanto os mercadores e a Igreja construíam a cidade mais nobre para oeste. Em outubro de 1566, corsários franceses desembarcaram na Praia Formosa, ocuparam a cidade durante cerca de duas semanas, saquearam-na e mataram mais de duzentas pessoas. O forte amarelo no fim da frente-mar foi construído depois, e é por isso que o nosso tour a pé lhe chama o forte que chegou quarenta e oito anos atrasado.
Durante a maior parte do século XX, o bairro antigo foi pobre e meio esquecido. Por volta de 2010 e 2011, um projeto chamado arte de portas abertas começou a convidar artistas para pintar as portas das casas, e a rua ganhou nova vida com bares e restaurantes.
O passeio: do mercado ao forte
É uma volta de cerca de 2 km. Começa no mercado de manhã e tens as portas praticamente só para ti.
Mercado dos Lavradores
O mercado, inaugurado em novembro de 1940, é um edifício de pátios e galerias, com painéis de azulejo de cenas de mercado à entrada. A fruta e as flores estão no rés-do-chão e nas galerias de cima; a lota do peixe fica ao fundo, onde de manhã o peixe-espada preto, comprido, parecido com uma enguia e de olhos enormes, está estendido nas bancas de mármore. Abre cedo todos os dias úteis, fica aberto até às 20h à sexta, fecha às 14h ao sábado e não abre ao domingo.
Cuidado com as bancas de fruta perto da entrada. Os vendedores dão a provar e depois pesam-te um saco muito acima do que a fruta vale. Pergunta primeiro o preço ao quilo e não tenhas vergonha de dizer que não. O nosso tour a pé O bairro dos pescadores começa aqui e segue a história do mar pela Zona Velha.
Largo do Corpo Santo e a capela dos pescadores
Atravessa a estrada a leste do mercado e entra no bairro antigo. O pequeno largo do Corpo Santo tem a capela caiada que os pescadores construíram no século XV para o seu padroeiro, São Pedro Gonçalves Telmo. Já foi reconstruída muitas vezes, mas o portal de pedra em arco quebrado é uma das peças mais antigas do Funchal ainda de pé. As casas à volta são baixas e encostadas umas às outras, como eram quando esta era a ponta da cidade onde se trabalhava.
A Rua de Santa Maria e as portas pintadas
A rua mais antiga do Funchal, e a razão por que as pessoas vêm. Tem cerca de 700 m, paralela ao mar, e quase todas as portas estão pintadas: retratos, peixes, flores, padrões abstratos, piadas. Algumas são de artistas madeirenses conhecidos; outras já foram repintadas várias vezes. Há mais nas ruas laterais, por isso sai da linha principal.
De dia a rua está sossegada o suficiente para ver tudo com atenção. A partir das 18h, mais ou menos, saem as mesas dos restaurantes, aparecem as cartas, e a rua passa a ser um corredor de jantares. Vale a pena ver as duas coisas. O nosso tour a pé Portas do Funchal vai de porta em porta e explica o que estás a ver.
O Forte de São Tiago
Na ponta leste da Rua de Santa Maria, nas rochas junto ao mar, está o forte amarelo. A construção começou por volta de 1614 e, ao longo dos séculos, serviu de quartel, de abrigo depois da aluvião de 1803 e, de 1992 a 2015, de museu de arte contemporânea da região. Em 2026 o forte está temporariamente fechado enquanto é transformado em museu de arqueologia, mas o restaurante lá dentro está aberto, e o terraço tem uma boa vista para trás, ao longo da frente-mar da Zona Velha.
Igreja do Socorro e Barreirinha
Logo atrás do forte, a igreja do Socorro (oficialmente Santa Maria Maior) está ligada a São Tiago Menor, padroeiro do Funchal. Na década de 1520 a cidade fez-lhe um voto para acabar com um surto de peste, e todos os anos a 1 de maio uma procissão ainda vai da Sé até esta igreja para renovar a promessa, com festa na rua na Zona Velha. Por baixo, a Barreirinha é um pequeno complexo balnear numa enseada de calhau, com nadador-salvador e Bandeira Azul (6 € em 2026). É um bom sítio para um mergulho no fim do passeio.
De volta pela frente-mar
Volta para oeste pelo passeio, passa pela estação do teleférico no jardim Almirante Reis e chega ao mercado. Já viste a Zona Velha toda.
Subir ao Monte a partir da Zona Velha
O teleférico para o Monte parte do jardim Almirante Reis, na frente-mar, à beira da Zona Velha. A viagem leva cerca de 15 minutos e custa 16 € só ida ou 22 € ida e volta (2026), mais nas novas cabines com chão de vidro. Funciona das 08:45 às 17:45. Lá em cima estão a igreja do Monte, o jardim municipal, o jardim do Monte Palace e os carros de cesto que descem até ao Livramento. Se o quiseres fazer a pé ao contrário, o antigo caminho real que desce da Ribeira das Cales até ao Monte é um trilho, o Caminho Real do Monte, empedrado em longos troços debaixo das árvores.
O resto do Funchal antigo, a oeste do mercado
A Zona Velha é a cidade dos pescadores. A cidade dos mercadores fica dez minutos para oeste, e vale a pena juntá-la ao mesmo dia.
- A Sé: construída em pedra vulcânica escura no fim do século XV, com um teto de madeira trabalhada que está entre os melhores de Portugal. Entrada gratuita.
- O Colégio dos Jesuítas: fundado pelos jesuítas na década de 1570, com uma igreja acabada no século seguinte, na praça principal da cidade, com torreões nos cantos. Hoje faz parte da universidade.
- O Jardim Municipal: um parque à sombra no sítio do antigo convento de São Francisco, com um lago e árvores grandes.
- Blandy’s Wine Lodge: ao lado do jardim, onde aprendes como se faz o vinho Madeira e o provas.
Os quatro estão no percurso do Portas do Funchal.
Comer e beber na Zona Velha
A Zona Velha tem mais restaurantes por metro do que qualquer outro sítio da ilha, e a qualidade varia muito.
Como escolher. Percorre a Rua de Santa Maria toda antes de te sentares. Desconfia de sítios onde um empregado te corta o caminho com a carta, e de cartas com fotografias em cinco línguas. Procura sítios onde se fale português nas mesas, e o prato do dia escrito num quadro. As ruas laterais são muitas vezes mais baratas e sossegadas do que a principal.
O que pedir. Espada (peixe-espada preto), muitas vezes com banana; lapas grelhadas com manteiga e alho; bife de atum com milho frito; bolo do caco, o pão redondo e achatado com manteiga de alho. Para o quadro completo, vê o que comer e beber.
Alguns nomes. O Gavião Novo, no número 131 da Rua de Santa Maria, é um restaurante de peixe com muitos clientes fiéis da terra. A Taberna Madeira, ao virar da esquina na Travessa João Caetano, serve pratos regionais e petiscos numa sala pequena. Os dois enchem, por isso reserva para jantar.
Poncha. A bebida da ilha é aguardente de cana, mel e limão, mexida com um pau de madeira chamado mexelote. É mais forte do que parece, e dois copos de estômago vazio são uma lição que só se aprende uma vez. Os dois bares de poncha mais conhecidos ficam a poucas portas um do outro na Rua de Santa Maria: a Venda Velha, arranjada como uma antiga venda de aldeia, e a Mercearia da Poncha, que usa a fruta da ilha. Fica ao balcão, não numa mesa, e vê-a a ser feita.
Dicas práticas
- Quando. As manhãs a partir das 9h são calmas, e o mercado está no seu melhor (abre mais cedo do que isso). As noites são animadas até tarde. Os dias de navio de cruzeiro trazem grupos grandes ao fim da manhã.
- Como chegar. A pé desde o centro, pela frente-mar. Se fores de carro, usa um dos parques de estacionamento perto do mercado ou da frente-mar; as ruas da Zona Velha são pedonais ou estreitas demais.
- Calçado. A calçada escorrega quando está molhada, e há ruas laterais íngremes a subir a partir do mar.
- Domingos e feriados. O mercado está fechado ao domingo, e algumas lojas também. Vê domingos, feriados e horários.
- Orienta-te. Na primeira noite, sobe ao Pico dos Barcelos para ver a cidade inteira lá de cima. A Zona Velha é o aglomerado de telhados baixos na ponta leste da baía.
Os nossos tours a pé «Portas do Funchal» e «O bairro dos pescadores» contam-te ao ouvido a história de cada paragem quando lá chegas, com o mapa a funcionar sem rede.
Perguntas que nos fazem
Onde fica a Zona Velha do Funchal?
A leste do centro da cidade, entre o Mercado dos Lavradores e o Forte de São Tiago, o amarelo, junto ao mar. A rua principal é a Rua de Santa Maria. Fica a uns dez minutos a pé da Sé.
Qual é a melhor altura para visitar a Zona Velha?
De manhã, se queres ver as portas pintadas e o mercado sem multidões. À noite, se queres jantar e beber um copo, quando a Rua de Santa Maria se enche de mesas de restaurante.
Quanto tempo preciso para a Zona Velha do Funchal?
Duas a três horas a pé chegam para o mercado, a Rua de Santa Maria, o forte e a frente-mar. Junta o teleférico para o Monte e passa a ser um dia inteiro.
Os restaurantes da Zona Velha são armadilhas para turistas?
Alguns são. Há empregados à porta com a carta na mão e os preços são mais altos do que no resto da cidade. Percorre a rua toda antes de escolher, evita sítios com fotografias na carta e procura mesas onde se fale português.
A Zona Velha é segura à noite?
Sim. À noite tem muito movimento e boa iluminação, e pequenos furtos são raros. Cuidado onde pões os pés na calçada, que escorrega quando está molhada.