Uma poncha a sério faz-se à tua frente, num bar pequeno, por uns poucos euros. Limão, mel e aguardente de cana vão para um jarro, alguém roda um pau de madeira entre as palmas das mãos até o mel desaparecer, e em menos de um minuto tens o copo na mão. O bar importa menos do que ser feita assim.
Em resumo
- A clássica é a poncha pescador: limão, mel, aguardente de cana. As de fruta são mais suaves e bebem-se mais facilmente.
- Vê-a a ser feita. Uma poncha deitada de uma garrafa é outra bebida.
- É quase tudo aguardente, e não sabe a isso. Conta cada copo como uma dose dupla.
- Os melhores bares de poncha são pequenos, baratos e longe da frente-mar do Funchal.
- Se vais conduzir, bebe-a no fim do dia, não a meio.
O que leva
Três coisas e um pau.
- Aguardente de cana. Uma aguardente transparente destilada da cana-de-açúcar da Madeira, normalmente com 40% ou mais. Podes vê-la a ser feita no Porto da Cruz (mais abaixo).
- Mel. Mel de abelha na maioria dos bares. Alguns juntam mel de cana, para um sabor mais escuro e mais fundo.
- Citrinos. Sumo de limão acabado de espremer na versão tradicional. Maracujá, tangerina e laranja nas outras.
O pau é o mexelote (também lhe chamam caralhinho, palavra que é melhor não usar à mesa com a família). Tem uma pequena estrela ou disco na ponta e roda-se depressa entre as palmas das mãos até o mel se dissolver na aguardente.
As versões que vais encontrar
| Nome | O que é | Sabe a |
|---|---|---|
| Pescador | Limão, mel, aguardente | Ácida, seca e quente |
| Regional | A mistura da casa, muitas vezes limão com laranja | Depende do bar; pergunta |
| Maracujá | Maracujá | Doce, fácil, a preferida dos turistas |
| Tangerina | Tangerina | Perfumada, bebe-se muito bem |
| Laranja | Laranja | Suave |
Começa por uma pescador para perceberes o que é a bebida, e depois pede a que gostares.
Como reconhecer um bom bar de poncha
- O jarro está no balcão. Limões frescos, um frasco de mel, o pau. É o material todo.
- Bebe-se de pé. A poncha bebe-se ao balcão, a caminho de outro sítio. Um banco já é um luxo.
- Há qualquer coisa salgada. Amendoins com casca ou tremoços, de graça ou quase.
- O preço é baixo. Num bar de freguesia uma poncha custa uns poucos euros. Na Zona Velha do Funchal custa mais, e não é melhor por isso.
Desconfia do contrário: uma carta plastificada com vinte sabores e nomes de cocktail, e um copo que chega à mesa já servido.
Onde beber
A nossa lista curta, arrumada pelo tipo de paragem e não pela fama: balcões de mercearia, um largo junto ao porto, estradas de serra, uma barraca de mercado. Os dias de abertura variam, por isso confirma antes de ires de propósito.
Atrás do balcão de uma mercearia: centro do Funchal
A maneira antiga de beber poncha na cidade é de pé, ao fundo de uma mercearia de bairro. Estas têm horário de loja e fecham ao domingo, por isso vai antes do jantar.
- A Mercadora, Rua do Hospital Velho. Ao lado do Mercado dos Lavradores, aberta desde 1966 e ainda com as prateleiras originais. A poncha serve-se na pequena taberna dentro da loja. À sexta e ao sábado fecha cedo. Uma poncha aqui encaixa bem com a visita ao mercado, que é também onde começa o tour a pé «O bairro dos pescadores».
- Mercearia do Bento, Rua dos Tanoeiros. Numa das ruas mais antigas da cidade, na família Bento desde 1974. O bar é um balcão pequeno ao lado da loja, e é pela poncha que as pessoas entram. Fechada aos domingos e feriados, com horário mais curto ao sábado.
- Rei da Poncha, Rampa do Cidrão, a dois passos da Mercearia do Bento. Quando a mercearia fecha, esta continua aberta pela noite fora, até à meia-noite durante a semana e até à 1h à sexta e ao sábado (fechada ao domingo). Mais sabores do que as mercearias, mais cheia à sexta à noite, amendoins ou tremoços a cada rodada, e ponchas a partir de uns 2,50 €.
Zona Velha depois de escurecer
A Zona Velha, à volta da Rua de Santa Maria, é onde o Funchal sai à noite. É turística e é a zona mais cara desta lista. As portas pintadas da mesma rua são o centro do tour a pé «Portas do Funchal».
- Venda Velha, Rua de Santa Maria. Aberta do fim da tarde até de madrugada, com DJ em algumas noites. O número da casa é o metro de poncha: uma tábua comprida de madeira com copinhos de vários sabores, feita para grupos. Barulhenta e divertida, se é essa a noite que queres.
Câmara de Lobos: onde tudo começou
Diz-se que a poncha nasceu nesta vila piscatória a 20 minutos a oeste do Funchal, como a bebida que os pescadores tomavam antes de irem para o mar. Há vários bares de poncha à volta do Largo do Poço, o largo junto ao porto. É também onde começa o tour áudio «A costa oeste», por isso uma poncha no fim do dia leva-te de volta ao ponto de partida.
- Bar Filhos D’Mar, Largo do Poço. A servir há mais de 40 anos, e muitas vezes apontado como a melhor poncha da vila. A pescador é mexida com o pau à tua frente, e há um par de invenções da casa se quiseres uma coisa mais esquisita.
Na serra: Serra de Água e Poiso
- Taberna da Poncha, Serra de Água. Na estrada velha que sobe o vale da Ribeira Brava em direção à Encumeada, aberta todos os dias de manhã até tarde, e há cerca de 70 anos. O chão estala com cascas de amendoim, porque é para lá que elas vão, e as paredes estão forradas de cartões de visita. Os grupos de excursão param ao meio-dia, por isso o fim da tarde é melhor. Uma boa recompensa depois da Vereda da Encumeada.
- Casa de Abrigo do Poiso, ER103. Um antigo abrigo de montanha em pedra, a cerca de 1.400 m, na estrada entre o Funchal e o Pico do Areeiro, hoje um restaurante com um bar grande e uma lareira acesa boa parte do ano. É conhecido há muito pela poncha; as opiniões recentes falam de um novo dono, por isso confirma se ainda é feita na hora ao balcão. É o sítio para descongelar depois do nascer do sol no pico ou da Vereda do Areeiro, com uma tigela de sopa. Lembra-te de que estás numa estrada de montanha: um copo, ou um condutor que não bebe.
O leste: o engenho de rum e um mercado de domingo
- Engenhos do Norte, Porto da Cruz. Um dos últimos engenhos que ainda fazem aguardente de cana, a vapor, num edifício de 1927, ao lado da praia do Porto da Cruz. Está aberto a visitas todo o ano, e de março a maio podes ver a cana a ser moída. Ao lado podes provar a aguardente simples e beber uma poncha feita com ela.
- Barraca d’Avó, mercado do Santo da Serra. Uma barraca no mercado de agricultores de domingo em Santo António da Serra, a cerca de meia hora do Funchal. A gente da terra encosta-se ao balcão para uma poncha matinal, que pode vir com milho frito. O mercado funciona das 9h, mais ou menos, até à tarde; chega antes das 11h para fugir à multidão.
Beber com cabeça
A poncha é doce e fresca e vai-se depressa. É essa a armadilha. A maior parte do copo é aguardente, por isso uma só poncha tem mais álcool do que um copo grande de vinho. Come qualquer coisa com ela (os amendoins estão lá por alguma razão) e não bebas nenhuma antes de uma estrada de montanha.
Em Portugal, o limite de álcool para conduzir é 0,5 g/l, e 0,2 g/l se tens carta há menos de três anos, o que é mais baixo do que em Inglaterra e no País de Gales. Fora do Funchal, quase todos os bares acima ficam onde só se chega de carro, por isso o mais fácil é apanhar um táxi, ou beber uma poncha só no fim da viagem. O nosso guia de condução tem mais sobre as estradas, e o que comer e beber fala do resto do que vais encontrar no copo.
Os tours de carro da app Tropi Guide acabam nas terras certas para uma poncha, e funcionam sem rede nos vales onde o sinal desaparece.
Perguntas que nos fazem
O que é a poncha?
A bebida tradicional da Madeira: aguardente de cana, mel e sumo de limão acabado de espremer, mexidos à mão com um pau de madeira chamado mexelote. Nas versões de fruta, o limão dá lugar ao maracujá, à tangerina ou à laranja.
A poncha é forte?
Muito mais forte do que parece. A maior parte do copo é aguardente de cana com 40% ou mais, e o mel disfarça. Conta cada uma como uma dose dupla.
Onde foi inventada a poncha?
Está ligada aos pescadores de Câmara de Lobos, que bebiam a versão de limão (poncha pescador) antes de irem para o mar. Ainda é a terra mais associada à poncha.
Quanto custa uma poncha?
Uns poucos euros: desde cerca de 2,50 € nos bares mais simples até uns 3,50 a 5 € no Funchal (valores aproximados, 2025 a 2026).
Posso comprar poncha para levar para casa?
Vende-se poncha já feita, engarrafada, nos supermercados e no aeroporto. Serve como lembrança, mas não é a mesma coisa que uma mexida na hora ao balcão.